DESTERRO
Encontro Beibidurim num beco escuro na cidade da minha memória. Ela me saúda com um sorriso maligno. Despenco em meu próprio abismo. Incendeio o cais. Erijo pedestais de gelo. Palhaço da noite tropeçando em pingos de chuva. As hienas riem e toda a plateia caçoa dos meus desatinos. Com uma agulha enferrujada, injeto fogos de artifício na veia. Fedendo a diarreia, uivo em direção à Órion. Meus demônios me espancam sob a luz da lua. Beijo a boca da lona, um beijo demorado de cinema. Com a mandíbula destroçada (escombro de dentes, pus, sangue e baba), convido "me concede a honra dessa contradança?" Então me lembro que não sei dançar porra nenhuma. Há tempos perdi o equilíbrio.
(texto e arte: Sandro Saraiva)
