TRIBUNAL SÁDICO
Um homem de corpo esquálido e pálido, marcado por lentigos solares e púrpura senil, acena com dedos finos e unhas pretas compridas. Nu, usa apenas uma peruca de palhaço com longos chumaços de cabelo saindo das frontes. Em movimentos lentos, curva-se na cadeira como se fosse um velho vampiro.
Deuses de si mesmos, os garotos sujos chapados de cola de sapato, descem o morro íngreme em cima de um tabuleiro de jogo de botão transformado em trenó.
Um balão colorido flutua lá no alto do céu azul-piscina. Dionísio foi visto pela última vez descendo a ladeira da Memória, equilibrando-se em tolos subterfúgios. Apolônio desapareceu na esquina onde havia um par de tênis velho pendurado no fio do poste de energia elétrica.
Irina Svatý faz o gesto quironamico de benção enquanto uma gota de leite vaza de seu mamilo rosado e um filete de sangue escorre de seu nariz. Em lânguido sussurro, pronúncia através dos tempos, “porco”.